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Descobriu a fotografia e não parou mais. Montou laboratório no banheiro da empregada e depois no quarto da empregada. Teve até uma quitinete toda equipada só para revelar e ficar absorto, produzindo, estudando e contemplando a sua arte. Conheceu inúmeros amigos, que trilharam o mesmo caminho de paixão pela fotografia. Ah, e como se orgulhava de encontrá-los e conversar sobre o que mais gostava, décadas de alegrias. Aos 27 anos, com a esposa grávida do segundo filho, juntamente com outros apaixonados colegas participou da fundação do então Clube do Fotógrafo Amador de Caxias do Sul. Fotografava por prazer, o que fosse. Flores, campos, céu, sol, paisagens, mar, pessoas, aranhas, macro, nus, filhos, parentes, shows, comícios, moda, carros, corridas, amigos. Tudo era tema, sempre entusiasmado, entendendo e tirando o máximo do equipamento. Dizia: ``tudo dá foto``. E completava: ``basta saber olhar``. Que lição!
Transformou o hobby em profissão, mas sem pretensão. Simplesmente porque amava a fotografia e queria se dedicar tempo integral para ela. Virou ``profissional``, mas nunca aceitou o termo. Defendia posições, a classe, os valores e, principalmente, o valor artístico da fotografia. Destacou-se, ganhou prêmios, viajou, criou um imenso banco de imagens com cenas históricas, foi chamado de mestre, mas sempre se considerava um aprendiz. Buscava a qualidade, a perfeição, quase neurótica. Queria sempre mais. Realmente gostava do clic. Era um filósofo da imagem, queria eternizar o tempo.
Talvez nunca tenha conhecido o Joel fotógrafo, como vocês. Conheci o meu pai. A fotografia já estava nele, e vivi essa história desde a minha infância. No clube, lembro de participar de algumas reuniões ainda criança, e de ficar bem quietinho quando apagavam as luzes para a apresentação dos slides. Lembro do barulho dos carretéis, lembro de negativos pendurados. Lembro de estar dentro de um Fusca, numa estrada de terra quando o meu pai, junto com o Aldo Toniazzo viajavam nos finais de semana fotografar o interior. Lembro de voar no banco de trás de um teco-teco, com o meu pai deitado no chão do avião sem porta, amarrado apenas com o cinto de segurança, tudo para fotografar Caxias do alto. Lembro de sair de bicicleta para acompanhar as muitas pedaladas fotográficas. E já adolescente, ir de jipe até Mostardas (o Aldo estava nessa). E de ir buscar copiões no Tomazzoni ou levar slides e filmes para escanear no Luciano, em uma sala na Av. Júlio de Castilhos. E das produções no estúdio, de segurar flash, puxar fio, carregar tripé. E de ouvir ele dizer: ``mais uma, a última```. Lembro das projeções em casa, para ver as fotos legais, dos primeiros computadores, a era digital, o entusiasmo contagiante, dos ensinamentos quando comecei a fotografar e, recentemente, das conversas sobre os rumos da fotografia e das nossas vidas.
Enfim, são inúmeras as lembranças. E que bom que são várias e, que além da memória e do sentimento, elas são concretas, em fotografias registradas ao longo de uma vida pautada em muito amor e generosidade, em todos os mais amplos sentidos.
Gostaria, em nome da minha família, de agradecer de coração, todo o carinho de vocês. Não poderíamos ter imaginado despedida mais bonita, repleta de amigos e boas recordações. Nosso querido pai, nosso Joel, cumpriu sua missão, sempre com bom-humor e leveza de espírito, e agora nos guia com o seu jeito doce e vibrante energia.Guardem na memória os ensinamentos, gestos, postura e palavras de uma pessoa que amaremos para sempre e que só tenho a dizer: obrigado pai.
Quero dizer que temos um grande projeto e que no futuro gostaríamos de contar com o apoio de vocês para a criação da Fundação Joel Jordani de Fotografia.
A saudade e o vazio são imensos e o acalento de vocês, amigos, é fundamental para superarmos esse momento de tristeza e dor. Um afetuoso abraço!
Guilherme Jordani e família.
PS – O pai adorava o clube, as reuniões, jantas, viagens e encontrar todos vocês. Ficava entusiasmado, com a energia e discussões. Admirava inúmeros e realmente estava feliz com os rumos clube."
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