
Dia do Fotógrafo — 8 de janeiro
O Dia do Fotógrafo é celebrado anualmente em 8 de janeiro, uma data dedicada a homenagear os profissionais que transformam instantes em memória, emoção e história. Por meio da fotografia, sentimentos ganham forma e o tempo é preservado em imagens que atravessam gerações.
A semana que envolve essa comemoração também celebra o Dia do Leitor e o Dia do Obrigado, ampliando o sentido de reflexão, reconhecimento e gratidão — valores profundamente conectados à fotografia como linguagem e expressão cultural.
A fotografia exerce um papel essencial na preservação da história, na comunicação visual e no compartilhamento de experiências. Mais do que técnica, ela exige sensibilidade, olhar atento e criatividade. Muitas vezes, uma imagem é capaz de dizer o que palavras não alcançam.
Galeria comemorativa
O Grupo Imagem – Núcleo de Fotografia e Vídeo de Sorocaba comemora o Dia do Fotógrafo com uma galeria especial, reunindo imagens de fotógrafos de Sorocaba e região.
Interessados em participar podem enviar sua fotografia para integrar a exposição.
Veja a galeria de fotos
A fotografia no Brasil: origem e contexto histórico
Considerada uma das maiores invenções da era moderna, a fotografia transformou profundamente a comunicação, a arte e a forma como registramos o mundo a partir do século XIX.
No Brasil, a profissão de fotógrafo ainda não é regulamentada, embora existam iniciativas para sua formalização, incluindo a criação de cursos de nível superior e o reconhecimento acadêmico da área.
O Dia do Fotógrafo, celebrado em 8 de janeiro, está registrado em diversos calendários oficiais e remete à chegada da primeira câmera fotográfica ao Brasil, em 1840.
De acordo com registros históricos, o abade francês Louis Compte foi responsável por trazer ao país o daguerreótipo — invenção de Louis Daguerre — e apresentá-lo ao imperador Dom Pedro II, que se tornaria um dos grandes entusiastas da fotografia no Brasil, sendo frequentemente citado como o primeiro fotógrafo brasileiro.
Veja matéria sobre o assunto no G1.
Controvérsias sobre a data
Existem controvérsias históricas sobre a data exata da chegada de Louis Compte ao Rio de Janeiro. Alguns estudos indicam o dia 16 de janeiro de 1840, enquanto outros mencionam datas diferentes, como 8 de julho. No entanto, não há registros oficiais que sustentem essas alternativas.
Outra importante discussão envolve o pesquisador Hércules Florence, franco-brasileiro que, segundo o historiador Bóris Kossoy, desenvolveu de forma independente um processo fotográfico denominado por ele de Photographie em 15 de agosto de 1832, em Campinas (SP) — antes mesmo do anúncio oficial do daguerreótipo na França.
Florence também esteve em Sorocaba, atraído pelas tradicionais feiras de muares, onde registrou cenas da antiga vila, incluindo cavalhadas e o intenso comércio de animais, documentando aspectos únicos da vida local.
Ainda assim, foi em janeiro de 1840 que a fotografia passou a ser oficialmente introduzida no Brasil, razão pela qual o Dia Nacional do Fotógrafo é comemorado em 8 de janeiro.
A chegada do daguerreótipo ao Brasil
A rapidez com que a novidade chegou ao país chama atenção: cerca de quatro meses após o anúncio da invenção, o daguerreótipo já era tema de publicação no Jornal do Commercio, em 1º de maio de 1839, pouco depois de ter sido divulgado nos Estados Unidos por meio de uma carta de Samuel F. B. Morse, escrita em Paris.
Louis Compte viajou a bordo do navio-escola L’Oriental, partindo da França em setembro de 1839. Durante a viagem, produziu daguerreótipos e, em janeiro de 1840, apresentou oficialmente a técnica a Dom Pedro II, que, poucos meses depois, adquiriu seu próprio equipamento — provavelmente o primeiro daguerreótipo da América do Sul.


Acima a Câmara de daguerreótipo Succe Frères, de 1939 / Westlicht Photography Museum, em Viena, na Áustria e a primeira foto tirada no Brasil com o daguerreótipo, por Louis Compte.
O abade Compte, encarregado pela assistência intelectual e espiritual e pelo ensino de religião, música e canto durante a viagem, no navio escola, o L’Oriental, um navio de três mastros, partiu do porto de Paimboeuf, nas proximidades da cidade francesa de Nantes, em 25 de setembro de 1839, com cerca de 80 pessoas a bordo, entre tripulação e passageiros. produziu alguns daguerreótipos, em 16 de janeiro de 1840, e, alguns dias depois, apresentou o invento a dom Pedro II (Jornal do Commercio, 20 de janeiro de 1840, terceira coluna). Foi com o próprio Daguerre que o abade havia aprendido a daguerreotipia. Em março do mesmo ano, D. Pedro II adquiriu um daguerreótipo, provavelmente o primeiro da América do Sul.

Marc Ferrez. Retrato de d. Pedro II., c. 1885. Rio de Janeiro, RJ / Acervo IMS
Dom Pedro II e a fotografia
Dom Pedro II foi o primeiro brasileiro a possuir um daguerreótipo e um dos maiores incentivadores da fotografia no país. Seu interesse foi decisivo para a difusão e o desenvolvimento da técnica no Brasil. O imperador acompanhava de perto os avanços tecnológicos e manteve um vasto acervo fotográfico.
Um de seus retratos mais conhecidos foi produzido por Joaquim Insley Pacheco, fotógrafo português de grande prestígio no século XIX.
Menos de uma no após o anúncio oficial da invenção, em 19 de agosto de 1839, na França, d. Pedro, aos 14 anos – antes de ser sagrado imperador – adquiriu o equipamento, em março de 1840, cerca de três meses depois que o abade francês Louis Compte (1798 – 1868) apresentou-lhe a novidade, no Rio de Janeiro – como se lê no Jornal do Commercio (Jornal do Commercio, 17 de dezembro de 1840, primeira coluna; e 20 de janeiro de 1840. terceira coluna).

Hércules Florence (1804-1879)
Em suas pesquisas, Florence desenvolveu um processo, denominado por ele de “Photographie”, em 15 de agosto de 1832, sendo o pioneiro no uso da palavra. Ele chegou a fazer rótulos e diplomas com materiais fotossensíveis a partir do uso da luz solar.
As feiras de muares o atraiu para Sorocaba, que registrou algumas cenas da então vila. De suas cavalhadas e do curioso processo de compra e venda de muares: animais bons e ruins eram misturados num verdadeiro redemoinho, que depois era desfeito em forma de espiral.
O primeiro fotógrafo a estabelecer-se em Sorocaba foi Júlio W. Durski que por longos anos retratou a imagem de pessoas e produziu uma série de dezoito fotos de vistas da cidade por volta de 1886.
Com o aparecimento das câmeras fotográficas populares intensificou-se a prática da fotografia como arte e documentação. Antonio Francisco Gaspar e Domingos Alves Fogaça deixaram inúmeros trabalhos que revelam aspectos de Sorocaba já desaparecidos. Além deles, encontram-se ainda muitas produções de Francisco Scardigno e irmão, a partir de 1911. Vicente Pesodipani e Alexandre Paschoal, em 1922, Pedro Hoffmann, a partir de 1928. Manoel Cruz Navarro. Porphirio Rogich Vieira e Nobuyoki Okasaki.
A fotografia em Sorocaba
O primeiro fotógrafo a se estabelecer em Sorocaba foi Júlio W. Durski, que por muitos anos retratou moradores da cidade e produziu uma série de 18 fotografias com vistas urbanas por volta de 1886.
Com a popularização das câmeras fotográficas, a fotografia se fortaleceu como arte e documento histórico. Destacam-se nomes como:
- Antonio Francisco Gaspar
- Domingos Alves Fogaça
- Francisco Scardigno e irmão (a partir de 1911)
- Vicente Pesodipani
- Alexandre Paschoal (1922)
- Pedro Hoffmann (a partir de 1928)
- Manoel Cruz Navarro
- Porphirio Rogich Vieira
- Nobuyoki Okasaki
Esses fotógrafos deixaram um legado visual inestimável, revelando aspectos da cidade que hoje fazem parte da memória e da identidade local.
Fontes e referências
- Brasiliana Fotográfica – Biblioteca Nacional
- Bóris Kossoy – Hércules Florence e a descoberta isolada da fotografia no Brasil
- Historiador Adolfo Frioli
- Blog Vanderlei Testa – Os fotógrafos pioneiros de Sorocaba